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O que buscamos com a prece?

 

 

O QUE BUSCAMOS COM A PRECE?

 

 

 

Por Claudia Guadagnin

 

Numa tarde, Chico Xavier voltava a pé e sozinho da Fazenda Modelo, onde trabalhou durante o tempo em que viveu em Pedro Leopoldo (MG). De repente, ele parou no meio da estrada de terra e se jogou no chão, de joelhos, com as mãos entrelaçadas em prece. Naquela época ele já se comunicava com espíritos desencarnados, mas em algumas situações se sentia incomodado por alguns deles.

Nestas horas, Chico procurava rezar e pedir perdão. Assim conseguia reverter os maiores momentos de desconforto. A lição aprendida? Que a prece pode realmente ser um “santo” remédio. Essa história é uma das que ilustram a vida de um dos mais importantes médiuns brasileiros, contada em sua biografia, As Vidas de Chico Xavier, escrita por Marcel Souto Maior. No livro, dezenas de situações difíceis vividas por ele foram superadas com a ajuda da prece.

De acordo com o sociólogo e teólogo espírita Guilherme Knopak, que é também Professor na Faculdade Doutor Leocádio José Correia (FALEC), para o Espiritismo, a prece não deve ser exercida apenas como um pedido de ajuda em momentos difíceis. “Enquanto na maioria das vezes se pensa em prece como uma forma momentânea de inverter a lógica de funcionamento das coisas para atingir determinado fim, com a prece busca-se entender o mecanismo orgânico de funcionamento do Cosmos para se harmonizar com ele. Em outras palavras, a oração não deve ter a intenção de suspender temporariamente lei nenhuma, mas sim, de compreendê-la”, explica. Segundo ele, a prece deve servir para que, permanentemente, as pessoas possam refletir sobre o significado que têm atribuído à própria vida, ao Creador e às suas experiências. “O ideal é que as preces não sejam feitas, mas vividas, por meio de pensamentos, ações, palavras e sentimentos”.


Para o sociólogo, é fundamental que as intenções sejam sempre as melhores nos momentos da oração. “Os bons fluidos proporcionam um ambiente que facilita o acesso para atuação dos espíritos desencarnados. Eles não conseguem simplesmente agir mediante vontade própria. Necessitam de uma ponte de comunicação, que é construída pelos nossos pensamentos”. Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec explica que a prece “é uma invocação, mediante a qual o homem entra, pelo pensamento, em comunicação com o ser a quem se dirige. Pode ter por objeto um pedido, um agradecimento”.


O espírito Leocádio José Correia, em mensagem psicografada pelo médium Maury Rodrigues da Cruz, sugere que “a verdadeira prece busca respostas; nunca dádivas”. Vale lembrar, ainda, da importância do livre-arbítrio, de que o homem tem liberdade para tomar iniciativas, já que é um ser inteligente, dono de sua própria razão. Durante a prece, muitas vezes é importante pedir coragem, paciência, resignação, como orienta Kardec. Assim, com a prece a pessoa conseguirá, por seus próprios meios, superar suas dificuldades. Ou seja: a pessoa fará prece, solicitará auxílio, mas é ela quem vai conseguir deixar seus problemas para trás por meio do livre-arbítrio. Além disso, é importante salientar que a prece tem poder quando direcionada a outras pessoas.


Segundo Kardec, isso se dá pela transmissão do pensamento. “Muitas vezes, indivíduos que estão com problemas de ordem física, moral ou espiritual não conseguem manter pensamentos equilibrados, o que dificulta a ação dos espíritos quando autorizados a agir. Nesses casos, a prece por terceiros é válida, já que uma pessoa, pensando sinceramente na outra, pode abrir um campo onde a atuação do polissistema espiritual seja possível”, observa Knopak.


A professora universitária Maria Francisca Carneiro conhece bem o poder das orações. Ela iniciou a prática ainda na infância, mas foi na adolescência que compreendeu a força do pensamento. “A prece é uma forma de iluminação da consciência. Ela nos coloca em sintonia com Deus e com as frequências vibratórias superiores. Por meio da prece, encontramos paz e força para enfrentar os problemas da vida. A oração nos fortalece e nos dá sabedoria para tirar o melhor de cada desafio”, diz. Segundo ela, a prece pode ser católica, muçulmana, espírita, evangélica ou budista. Não importa a religião, contanto que seja espontânea, intimista e verdadeira. “O mais importante é a sinceridade e a força da intenção. O segredo é sentir-se num momento de meditação, relaxado, como se estabelecesse diálogo com Deus. Isso amplia o poder da oração e oferece o retorno esperado mais rápido do que imaginamos”, indica.

 

EFEITOS TERAPÊUTICOS


Não é de hoje que se sabe que fazer prece contribui com a sensação de bem-estar, oferecendo calma, tranquilidade e harmonia. Estudos que comprovam a coerência dessas impressões também já são frequentes em diversas partes do mundo. A partir dos anos 70, surgiram cada vez mais pesquisas que relacionam saúde com espiritualidade.


Uma das investigações científicas sobre os efeitos terapêuticos da oração foi feita em 1988, quando Randolph C. Byrd, cardiologista do San Francisco General Medical Care Center, na Califórnia (EUA), publicou o resultado de uma experiência em que dividiu 393 pacientes do setor de cardiologia de seu hospital em dois grupos.

Depois de operadas, parte das pessoas recebeu orações e a outra parte não. Byrd acompanhou 29 indicadores de saúde nos dois grupos e percebeu que, em seis deles, os pacientes que receberam as preces apresentavam melhores resultados. Pierluigi Zucchi, diretor do Instituto para a Terapia da Dor, da Universidade de Florença, na Itália, acredita que a oração e a meditação não apenas contribuem para a eficácia dos tratamentos com remédios, como também aumentam os limites de resistência à dor. Uma das experiências de Zucchi consistiu em promover sessões de leitura e meditação sobre trechos do Evangelho de São João a grupos de enfermos, desconhecendo as convicções religiosas de cada um. O estudo revelou que o limite de resistência à dor entre os que tinham fé era muito mais elevado.


Segundo ele, provavelmente, a prece e a meditação aumentam a produção de algumas substâncias analgésicas produzidas pelo nosso cérebro. Já o psiquiatra Harold Koening, diretor do Centro de Religião, Espiritualidade e Saúde da Universidade Duke, nos Estados Unidos, mapeou 700 pesquisas sobre o tema. Do total avaliado, cerca de 500 trabalhos indicavam ligações entre crença religiosa e bem-estar físico. Segundo ele, entrevistados que afirmaram crer em uma “força maior” apresentaram, em média, melhor função imunológica, níveis mais baixos de colesterol, boa qualidade de sono e menor pressão arterial em comparação aos que se declararam céticos. Segundo o psiquiatra, pessoas que exercem uma prática religiosa regular vivem, em média, sete anos mais que as outras.

 

FLUIDO UNIVERSAL


Kardec explica, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, que o mecanismo da prece se dá graças ao fluido universal, que ocupa todos os seres, encarnados ou desencarnados. A vontade da pessoa no momento da prece é a mola propulsora deste fluido, ou seja, é o “veículo do pensamento, como o ar o é do som. Dirigido, pois, o pensamento para um ser qualquer, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece entre um e outro, transmitindo de um ao outro o pensamento, como o ar transmite o som”, afirma Kardec.

 

Edição 25 da revista SER Espírita