Hora de pensar, hora de decidir

 

Jesus recomendou: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não.[i]

E esclareceu: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.[ii]

Dentro de nós existem lados que possuem valores diferentes, interesses e intenções diferentes, e por isso entram em conflito. Nossa capacidade de perseguir um objetivo depende profundamente da maneira como conciliamos e administramos criativamente esses vários lados da nossa personalidade.

Quanto maior for esse objetivo, mais lados de nossa personalidade estarão envolvidos e maiores serão as possibilidades de interesses conflitantes.

Somos congruentes quando todo o nosso comportamento, tanto verbal como não verbal, sustenta nosso objetivo. Ou seja, somos congruentes quando somos coerentes, quando estamos em conformidade entre o que sabemos e o que fazemos a respeito de alguma coisa. A congruência interna nos dá segurança, força e poder pessoal.

Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes[iii], que Emmanuel, Espírito, comenta[iv]:

Entre saber e fazer existe singular diferença. Quase todos sabem, poucos fazem. (…)

Há sempre vozes habilitadas a indicar os caminhos. É a palavra dos que sabem.

Raras criaturas penetram valorosamente a vereda, muita vez em silêncio, abandonadas e incompreendidas. É o esforço supremo dos que fazem.(…)

João assinalou a lição do Mestre com sabedoria. Demonstra o versículo que somente os que concretizam os ensinamentos do Senhor podem ser bem-aventurados. Aí reside, no campo do serviço cristão, a diferença entre a cultura e a prática, entre saber e fazer.

Jesus nos conclamou à coerência, dizendo-nos que se compreendêssemos os Seus ensinos e os praticássemos, seríamos felizes.

E isso nos pede reflexão amadurecida.

Diante dos valores éticos, morais que conhecemos, como é nosso comportamento em casa, no trabalho, no lazer, na sociedade?

Qual nossa postura diante das variadas situações que envolvem a vida em família?

Se religiosos, como nos vemos diante do espelho da consciência, ao refletir, comparativamente, o que sabemos e o que fazemos?

É natural que identifiquemos incongruências, quando olhamos para dentro de nós mesmos, com sinceridade.

Abstenhamo-nos de adornar a existência com expectações ilusórias. Somos criaturas humanas, a caminho da sublimação necessária e, nessa condição, errar e corrigir-nos para acertar sempre mais, são impositivos de nosso roteiro. Conquanto isso, porém, permaneçamos convencidos, desde hoje, de que, se por agora não nos é possível envergar a túnica dos anjos, podemos e devemos matricular-nos na escola dos espíritos bons.[v]

O que desejamos destacar é a necessidade de trabalharmos com empenho por reformar aspectos comportamentais tidos como dissociados dos valores contidos nas leis morais da vida. Isso é finalidade da vida.

Precisamos de atitudes.

Santo Agostinho, em O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, em resposta à questão 919, recomendou: Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.

O verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro, é reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más, conforme se lê em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. XVII, item 4.

O Espiritismo nos ensina que Jesus é nosso Guia e Modelo.

Na palavra do Venerando Benfeitor, Bezerra de Menezes [vi]Jesus, meus amigos, é mais do que um símbolo. É uma realidade em nossa existência. Não é apenas um ser que transitou da manjedoura à cruz, mas o exemplo, cuja vida se transformou num Evangelho de feitos, chamando por nós.

Os que nos afirmamos cristãos, precisamos viver coerentemente como tal.

Jesus não deixou de alertar: Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito[vii]

Hora de pensar, hora de decidir.

Há rumos e rumos.

Rumos que libertam e rumos que escravizam.

Maria de Magdala, que estava distante dEle, escolheu segui-lO.

Judas Iscariotes, que estava ao lado dEle, escolheu trai-lO.

Temos de um lado as bem-aventuranças e de outro as desaventuranças.

Verso e reverso. Uma questão de escolha.

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a  rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva,e correram rios, e assopraram  ventos,  e combateram aquela casa, e caiu, e  foi grande sua queda![viii]

Observemos de que lado estamos: no lado do verso de luz da bem-aventurança, ou no reverso, em desventura de sombra e dor.

 

 

Bibliografia:

1 BÍBLIA, N.T. Mateus. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap.5, vers. 37.

2______. Mateus. cap. 7, vers. 21.

3______. João. cap. 13, vers. 17.

4 XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. 11. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1985. cap. 49.

5______. Alma e coração. Pelo Espírito Emmanuel. São Paulo: PENSAMENTO. cap. 54.

Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, na noite de 20 de abril de 1975, na sessão pública da Federação Espírita Brasileira, em Brasília, DF.

7 BÍBLIA, N.T. Lucas. Português. O novo testamento. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa Bíblica Brasileira, 1966. cap.16, vers. 10.

8______. Mateus. cap. 7, vers. 24-27.